Investigações apontam que o grupo, sem contato presencial, usava chats para incitar violência e espalhar discurso de ódio. O caso foi monitorado pelo Ministério da Justiça, que identificou planejamento consistente.
Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou um grupo que arquitetava, pela internet, atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília. Os integrantes, que nunca se encontraram pessoalmente, utilizavam plataformas de comunicação para discutir planos de fabricação de explosivos e disseminar discursos de ódio.
As conversas, monitoradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, indicavam um planejamento sério. Mensagens trocadas entre os membros incluíam sugestões como:
“Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”
e
“Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”
.
O monitoramento das autoridades deixou claro que as condutas não eram inofensivas. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou a gravidade dos planos, alertando que
“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo planejado eram atentados sérios”
. Para ele, a sociedade deve estar atenta a esses comportamentos, que não podem ser minimizados, pois representam riscos sérios.
Um relatório do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, concluiu que o conteúdo compartilhado nos grupos era de alto risco, com planejamento de atos violentos, uso de artefatos explosivos e disseminação de ideologias extremistas. O acesso aos grupos era restrito, requerendo links específicos ou buscas por nomes exatos.
Um dos grupos contava com mais de 600 integrantes, e aqueles que se radicalizavam eram convidados para um grupo menor, com 46 membros, onde não apenas trocavam ideias, mas também instruções. Os membros estavam disseminando manuais sobre como construir explosivos, coquetéis Molotov e calculando custos para os ataques.
Segundo informações do Ministério da Justiça, os administradores dos grupos buscavam identificar indivíduos dispostos a cometer crimes. O principal objetivo do grupo era invadir e explodir prédios públicos, com foco no Palácio do Planalto, como uma forma de enviar uma mensagem violenta e antidemocrática para todo o país.
Os integrantes possuíam mapas dos ministérios e do Congresso Nacional, e chegaram a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, indicando rotas de entrada e saída. O ministro Lima e Silva enfatizou a importância do trabalho do Ciberlab, que identificou e monitorou esses comportamentos.
Este ano, o Ciberlab produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio. Na última terça-feira (4), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Os investigados enfrentarão acusações de associação criminosa, apologia e distribuição de material extremista, além de incitação ao crime. A investigação continua com a análise dos dispositivos apreendidos.
O delegado envolvido na operação expressou preocupação com a seriedade das intenções do grupo, afirmando:
“A gente acredita que eles levariam (o plano) à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”
. O ministro também reforçou a necessidade de vigilância contra o extremismo, ressaltando que
“O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”
.
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