No 1º semestre de 2026, vendas de canetas com semaglutida e tirzepatida subiram 23,2%; semaglutida cresceu 58,8%. Anvisa/Abrasel registrou 368.741 vendas em junho. Bares e restaurantes em Sergipe já relatam mudança no comportamento dos clientes.
No primeiro semestre de 2026, as vendas de medicamentos com semaglutida e tirzepatida, conhecidos como canetas emagrecedoras, cresceram 23,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O destaque foi para os remédios à base de semaglutida, que registraram um aumento de 58,8% nas vendas, especialmente no segundo trimestre, após a queda da patente dos componentes. Somente no mês de junho, foram contabilizadas 368.741 vendas desses produtos, segundo dados da Anvisa, analisados pela Abrasel.
Esse crescimento no consumo dos medicamentos já impacta o comportamento dos clientes em bares e restaurantes. Um levantamento da Abrasel revelou que 61% dos empresários do setor notam mudanças associadas ao uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. Os efeitos mais frequentes incluem a busca por porções menores, alertada por 64% dos entrevistados, e a diminuição no consumo de sobremesas, observada por 65% deles.
Em Curitiba (PR), o restaurante Babilônia, conhecido por sua gastronomia internacional, também notou essas mudanças. O sócio-proprietário, Marcelo Woellner Pereira, destacou a redução na ingestão de alimentos e a preferência por pratos menores e compartilhados.
“Como todos os comerciantes do mercado de alimentação fora do lar, estamos percebendo mudanças nos hábitos de consumo por reflexo do uso das canetas. É visível a diminuição da ingestão de alimentos, a busca por porções menores e o pedido para compartilhar pratos”,
afirmou Marcelo.
Para se adaptar a esse novo cenário, ele lançou a seção “Mais Leves” no cardápio, com versões reduzidas de pratos clássicos e preços ajustados. Marcelo acredita que o movimento ainda está em crescimento e que a democratização do acesso aos produtos poderá aumentar ainda mais a adesão.
Em Belo Horizonte (MG), o sócio do bar Quinteiro, André Calixto, também percebeu a mudança. Usuário do medicamento, ele notou que não conseguia consumir normalmente em seu próprio estabelecimento devido ao tamanho das porções.
“A gente tinha ouvido falar sobre cardápios para pessoas que usam canetas no início do ano, mas parecia algo distante. Quando comecei a usar a caneta, entendi na prática: eu não conseguia consumir no meu próprio bar”,
relatou André.
Após analisar os dados de consumo, o bar começou a oferecer opções mais leves, como sanduíches de carnes magras e drinques sem álcool, visando atender essa nova demanda. André destacou que, apesar das mudanças, o ticket médio dos clientes não foi afetado, já que eles buscam qualidade nas refeições.
“Eu não senti efetivamente diminuição do ticket médio, porque esse pessoal da caneta não se importa muito com o valor a ser pago; eles só querem comer bem”,
afirmou.
Paulo Solmucci, presidente executivo da Abrasel, ressaltou a importância de observar como os estabelecimentos têm se adaptado a esse novo comportamento do consumidor e a necessidade de se preparar para as mudanças que a democratização do medicamento pode trazer.
“Enquanto o uso desses medicamentos esteve restrito às classes A e B, os estabelecimentos tinham como opção o investimento em experiências e produtos de maior valor agregado. Contudo, com a queda da patente e a possível chegada às classes C e D, o consumo deve passar por outro momento de mudança e os estabelecimentos terão que buscar formas de se adaptar”,
comentou Solmucci.
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