O centro de Aracaju enfrenta um dilema que merece atenção. Por um lado, a modernização das fachadas e a força do comércio se destacam; por outro, a falta de padronização nas intervenções tem chamado a atenção nas ruas Laranjeiras, João Pessoa e áreas adjacentes. O que se percebe é um aumento no número de envelopamentos, mas sem critérios técnicos uniformes que orientem essas ações.
A liberdade que os comerciantes têm para modificar a estrutura dos prédios levanta um alerta importante. Muitos desses imóveis são antigos e apresentam sinais de desgaste, como infiltrações e limitações estruturais. A instalação de grandes painéis metálicos pode estar adicionando pesos inesperados às construções. Além disso, o fechamento das fachadas pode reduzir a ventilação, favorecendo a umidade e potencializando problemas que passam despercebidos por quem frequenta a região.
A forma como essas estruturas são instaladas também é preocupante. Sem uma fiscalização rigorosa, muitos painéis são fixados de maneira improvisada. Em períodos de chuva e vento, esses elementos podem agir como superfícies de pressão intensa, apresentando risco de desprendimento e comprometimento das edificações. Assim, a modernidade aparente pode esconder um perigo real.
Em um cenário onde uma estrutura venha a ceder, a responsabilidade seria apenas do proprietário ou comerciante? Ou ainda, aqueles que executaram o serviço poderiam ser responsabilizados? É essencial questionar a atuação do poder público nesse contexto. A Defesa Civil e a EMURB estão realizando a fiscalização necessária? Existem normas claras sendo aplicadas com rigor, ou estamos diante de uma possível ausência de controle?
“O centro de Aracaju está convivendo com um risco silencioso que pode se agravar a qualquer momento”, alerta um especialista em segurança estrutural.
A inquietante questão que fica é: até quando o centro da capital sergipana seguirá enfrentando esse risco oculto, que só será totalmente percebido quando se transformar em uma tragédia? O chamado à ação é urgente, e a responsabilidade de garantir a segurança das edificações é de todos, desde os comerciantes até o poder público.
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