A Guarda Municipal de Aracaju (GMA), através do Agrupamento Especializado Patrulha Maria da Penha (PMP), promoveu uma ação educativa e informativa no Espaço Cuidar, um local de acolhimento para mulheres e pessoas trans no Hospital e Maternidade Santa Isabel, em Aracaju. O evento teve como objetivo a prevenção e a capacitação de profissionais da saúde para identificar casos de violência doméstica.
Durante a palestra, a coordenadora da Patrulha Maria da Penha, subinspetora Sabrina Smith, abordou os primeiros sinais de um relacionamento abusivo e os diferentes tipos de violência enfrentados pelas mulheres. Ela ressaltou que o ambiente hospitalar frequentemente é a primeira porta de entrada para vítimas que buscam ajuda, mesmo que de forma silenciosa.
“É de suma importância que vocês conheçam esses sinais para que possam intervir e ajudar mulheres em situação de risco durante o atendimento no hospital ou na maternidade. Muitas dessas mulheres podem ter sofrido violência e estar gerando um filho fruto desse abuso”, explicou.
Além das informações sobre o ciclo da violência, um dos pontos altos da ação foi a apresentação do aplicativo SOS Maria da Penha. Essa ferramenta permite que mulheres com medida protetiva acionem a Guarda Municipal rapidamente em situações de perigo iminente.
“Ao pressionar o botão de pânico por três segundos, a patrulha é acionada. A última ocorrência atendida pela Guarda Municipal de Aracaju resultou em prisão em flagrante justamente após o acionamento do aplicativo”, destacou o desenvolvedor do software SOS Maria da Penha, Ricardo Trindade.
O evento também contou com o emocionante depoimento da paratleta Ana Paula de Jesus Santos, que sofreu uma amputação devido à violência doméstica. Ela enfatizou como a informação e a tecnologia poderiam ter mudado sua trajetória no passado.
“Se, na época em que sofri a agressão, existisse metade do suporte que temos hoje, com certeza eu não faria parte dessa estatística. Porém, acredito que minha história ajuda muitas mulheres. Dei a volta por cima e posso ser quem eu quiser. Por isso, reforço a importância da denúncia, dos testemunhos e, principalmente, de toda mulher ter em seu celular o aplicativo SOS Maria da Penha. Não se calem!”, declarou Ana Paula.
O diretor-geral do Hospital e Maternidade Santa Isabel, Rubens Moreira, também reforçou a relevância social da unidade e o apoio à iniciativa. “É extremamente importante abordar esse assunto para mostrar que a mulher não está sozinha. Hoje vivenciamos um momento enriquecedor, com informações valiosas e relatos muito fortes”, afirmou.
A Patrulha Maria da Penha desempenha um papel crucial na proteção de mulheres, atuando como guardiã das medidas protetivas de urgência encaminhadas pelo Judiciário. Além da fiscalização, o grupamento realiza um trabalho preventivo por meio de rodas de conversa e panfletagens, buscando conscientizar as mulheres sobre o ciclo de violência ao qual podem estar expostas.
Desde sua criação em 2019, a Patrulha já atendeu mais de 300 mulheres com proteção e realizou mais de 18 mil visitas preventivas. Importante destacar que nenhum caso de feminicídio foi registrado entre as mulheres acompanhadas pela patrulha no município.
A rede de apoio em Aracaju está preparada para acolher e proteger quem precisa. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 153, da Guarda Municipal de Aracaju, ou através do aplicativo SOS Maria da Penha, disponível para smartphones. Também é possível procurar o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) para registrar boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas.
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