A Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe alerta sobre os impactos do ruído excessivo causado por fogos de artifício com estampido, especialmente durante celebrações e festividades. O barulho intenso desses artefatos não é apenas uma questão cultural, mas sim uma preocupação séria que pode afetar a saúde de diversas pessoas, em especial aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, enfermos, bebês, além de animais domésticos e silvestres.
De acordo com o diretor de Proteção Animal (Diproan), Adriano Bandeira, a literatura científica e profissionais da veterinária reconhecem que os fogos de artifício com estampido causam intenso sofrimento aos animais. “O barulho de alta intensidade pode desencadear medo extremo, pânico, desorientação, fugas, acidentes, ferimentos graves, agravamento de doenças pré-existentes e, em casos mais severos, até a morte em decorrência do estresse provocado pelos estampidos”, afirmou o diretor.
Além dos danos aos animais, os fogos de artifício também impactam diversos grupos da população. O som repentino e intenso pode causar traumas acústicos, zumbidos e até perdas auditivas temporárias ou permanentes. Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a sobrecarga sensorial causada pelo excesso de ruído pode resultar em crises de ansiedade, medo, angústia e desregulação emocional.
“Os fogos podem causar grande sofrimento às pessoas com autismo. O barulho intenso e inesperado pode desencadear crises sensoriais, ansiedade e desorganização emocional, comprometendo significativamente o bem-estar e a participação dessas pessoas nos momentos de celebração. Os efeitos também são sentidos por bebês e crianças, que podem apresentar irritabilidade intensa, sustos e desconforto diante dos altos níveis de ruído. Já entre idosos e pessoas enfermas, os estampidos podem provocar elevação da pressão arterial, aumento do estresse, desorientação e distúrbios do sono”, explicou Danniella Gouveia, gestora da Reabilitação Intelectual TEA no Centro Especializado em Reabilitação (CER IV).
Em face dessa realidade, a Secretaria de Estado da Saúde reforça a importância da conscientização e da adoção de alternativas visuais e silenciosas para as comemorações, tornando-as mais inclusivas e seguras. O uso de fogos de artifício deve ser feito com responsabilidade, observando rigorosamente a legislação vigente que regula a comercialização e utilização de artefatos pirotécnicos.
Os comerciantes, distribuidores e organizadores de eventos devem estar atentos às leis, como a Lei Estadual nº 9.729/2025 e a Lei Municipal nº 6.173/2025, de Aracaju, que estabelecem restrições ao uso de fogos de artifício com estampido. A população é incentivada a priorizar alternativas silenciosas durante as celebrações, evitando causar sofrimento aos animais e às pessoas mais vulneráveis.
Caso haja descumprimento da legislação ou para registrar denúncias relacionadas à comercialização e uso irregular de fogos de artifício, a população pode acionar os órgãos de fiscalização competentes, como o Procon Aracaju e a Polícia Civil.






Fonte: Saúde – Sergipe
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