Fonoaudióloga da UNINASSAU Aracaju diz que amamentar fortalece fala, respiração e deglutição. O ato de sugar é o primeiro exercício oral, ativando músculos da face e do pescoço e prevenindo problemas em Sergipe.
Agosto é um mês que destaca a importância da amamentação, um ato que traz diversos benefícios nutricionais tanto para o bebê quanto para a mãe. A fonoaudióloga e professora do curso de Fonoaudiologia da UNINASSAU Aracaju discute como a amamentação é crucial para o desenvolvimento da fala, respiração e deglutição. Este ato é considerado o primeiro e mais importante exercício para o sistema estomatognático, que inclui a língua, lábios, bochechas, palato muscular, dentes e ossos da face.
A ação de sugar envolve um esforço muscular intenso, ativando grupos musculares na face, boca e região cervical. Esse fortalecimento é a base para o desenvolvimento motor-oral, preparando as estruturas que, posteriormente, serão utilizadas para a articulação correta dos sons da fala.
Além disso, durante a amamentação, o bebê é incentivado a manter os lábios vedados e a língua em uma posição adequada, o que contribui para o padrão fisiológico de respiração nasal, prevenindo problemas como a respiração oral, que pode levar a alterações faciais e distúrbios do sono.
Outro ponto importante é que a amamentação ajuda a coordenar as funções de sugar, engolir e respirar, evitando engasgos e garantindo que o bebê aprenda desde o nascimento a gerenciar o fluxo de alimento de forma segura.
No entanto, é comum que algumas crianças apresentem dificuldades para mamar. Pais e profissionais devem estar atentos a sinais que indicam a ineficácia da transferência de leite. Indícios como dor intensa nos mamilos, fissuras ou sangramentos podem sinalizar que o processo não está ocorrendo adequadamente. Outros fatores a serem observados incluem se o bebê parece ‘mastigar’ o mamilo em vez de sugar, se solta o peito com frequência ou se fica excessivamente inquieto e irritado durante a mamada.
“Mamadas muito curtas, porque o bebê se cansa rapidamente, ou excessivamente longas, com intervalos menores que uma hora, além de ruídos de estalos de língua ou ‘beijos’ durante a sucção, também devem receber atenção”, complementa a especialista.
A pega adequada é essencial para o sucesso do aleitamento. É fundamental que a mãe esteja relaxada e que o bebê mantenha a cabeça e o tronco alinhados, barriga com barriga em relação à mãe. O bebê deve abrir bem a boca antes de abocanhar o seio, com o lábio inferior virado para fora e uma grande parte da aréola dentro da boca. A amamentação não deve causar dor e não devem ser ouvidos estalos, com o queixo do bebê tocando a mama e o nariz livre para respirar.
Quando procurar um fonoaudiólogo? Este profissional atua na avaliação e tratamento de desequilíbrios musculares e funcionais da face, além de realizar o teste da linguinha nas maternidades. A recomendação é procurar esse profissional quando houver dificuldades persistentes na pega, mesmo após orientações básicas.
“Algumas situações que indicam a necessidade de ajuda são dor crônica na mãe, baixo ganho de peso do bebê e desidratação sem causa médica aparente, suspeita de alterações no frênulo lingual (língua presa) e sinais de disfagia, como engasgos frequentes, tosse ou cansaço excessivo ao mamar”, explica Ana Alice.
A anquiloglossia, ou “língua presa”, é uma condição congênita onde o frênulo lingual é muito curto ou está preso à frente, limitando a mobilidade da língua. Isso pode levar o bebê a fazer força com a mandíbula, causando dor extrema à mãe e dificultando a retirada eficiente do leite.
Por fim, a especialista sugere algumas orientações para mães que estão começando. O aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses e complementar até, no máximo, dois anos. É importante deixar o bebê mamar sempre que demonstrar fome, evitando horários rígidos para garantir a produção de leite. O uso de mamadeiras e chupetas deve ser evitado para não causar “confusão de bicos”, que pode enfraquecer a musculatura orofacial e comprometer o desenvolvimento dos ossos da face. Também é recomendado manter as mamas secas e utilizar o próprio leite nos mamilos como proteção, evitando pomadas ou óleos sem orientação.
Além disso, é fundamental certificar-se de que o teste da linguinha foi realizado por um fonoaudiólogo na maternidade, para identificar precocemente qualquer restrição e permitir uma intervenção adequada.
Siga o Giro por Sergipe e receba as notícias do estado em primeira mão.
