A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu alerta sobre queimaduras infantis durante as festas juninas. Fogueiras e fogos exigem atenção redobrada dos pais em todo o país.
As festas juninas e julinas de São João trazem alegria e tradição, mas também exigem cuidados especiais, principalmente com relação às crianças e adolescentes. Neste dia 22 de junho, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fez um alerta sobre os riscos de queimaduras, que aumentam significativamente durante esse período festivo.
O presidente da SBP, Edson Liberal, destacou a importância da conscientização. “As festas fazem parte da cultura brasileira e são momentos de celebração para muitas famílias, mas também exigem atenção redobrada porque neste período há maior exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, recipientes com alimentos e bebidas quentes e outros materiais inflamáveis”, afirmou.
Dados da SBP revelam que crianças com menos de cinco anos representam mais da metade das internações pediátricas por queimaduras no Brasil. Entre 2024 e 2025, esse grupo etário concentrou 53,8% das internações por queimaduras registradas no Sistema Único de Saúde (SUS).
No total, o SUS registrou 13,8 mil internações de crianças e adolescentes por queimaduras e acidentes térmicos graves em apenas dois anos, sendo 6.965 casos em 2024 e 6.855 em 2025. Contudo, o número de ocorrências é, na verdade, muito maior, já que muitos casos leves não chegam a exigir hospitalização.
“No entanto, sabemos que o número real de ocorrências é bastante superior ao registrado, já que muitos episódios leves e moderados são atendidos em unidades de pronto atendimento, consultórios ou mesmo tratados em casa, sem entrar nas estatísticas hospitalares”, explicou Liberal.
O especialista reforçou que é fundamental que crianças não manuseiem fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer material que envolva fogo. A supervisão de um adulto é imprescindível para garantir a segurança dos pequenos, afastando-os das fontes de calor.
A boa notícia é que a maioria das queimaduras pode ser evitada com simples medidas de prevenção e vigilância adequada. Em média, quase 20 crianças e adolescentes foram internados diariamente nos últimos dois anos devido a queimaduras.
A pesquisa apontou que 20% das internações foram de crianças entre cinco e nove anos, totalizando 2.820 casos. Os adolescentes de 10 a 14 anos também apresentaram um número significativo, com 1.848 registros, enquanto aqueles de 15 a 19 anos somaram 1.721 casos.
Além dos acidentes com fogo, as hospitalizações também foram causadas por exposição à corrente elétrica, temperaturas extremas e outras situações relacionadas a queimaduras. Vale destacar que, em 2023 e 2024, mais de 300 óbitos de crianças e adolescentes foram registrados devido a esses acidentes, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do SUS.
“O problema é que as crianças pequenas ainda não têm maturidade para reconhecer situações de perigo. Elas se interessam por objetos coloridos, brilhantes, que produzem calor, luz ou movimento”, alertou Liberal.
Por fim, a SBP recomenda que os pais mantenham uma supervisão constante e adaptem os ambientes para evitar riscos desnecessários. Além das queimaduras por líquidos quentes e fogo, produtos químicos e elétricos também podem causar lesões graves, sendo importante lembrar que a pele das crianças é mais delicada e vulnerável, o que aumenta o risco de sequelas.
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