A região ampliou em 52% suas unidades de conservação em dez anos, chegando a 25 milhões de hectares preservados. Sergipe integra esse avanço histórico na proteção da biodiversidade nordestina.
O Nordeste brasileiro ampliou em 52% o número de unidades de conservação ambiental na última década. Segundo dados do novo painel do Data Nordeste, a região passou de 485 áreas protegidas em 2015 para 738 em 2025, abrangendo mais de 25 milhões de hectares, uma área equivalente a cerca de 35 milhões de campos de futebol.
As Unidades de Conservação (UCs) são áreas naturais protegidas por lei, criadas com o objetivo de garantir a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Esses territórios são divididos em duas categorias: as de “proteção integral”, que visam a preservação e permitem apenas o uso indireto; e as áreas de “uso sustentável”, onde a exploração é permitida de forma compatível com a conservação.
“É um resultado interessante, mas nós sempre podemos melhorar. É importante observar o crescimento ao longo das décadas impulsionados pela criação de leis e diretrizes governamentais, então quanto mais ações pudermos alcançar, melhor”, comentou Ludmilla Calado, geógrafa da Sudene e coordenadora do Data Nordeste.
Uma das medidas destacadas pela especialista foi a Lei Federal nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Das 738 unidades registradas no Nordeste, 381 pertencem à esfera estadual, 280 são de âmbito federal e 77 são de responsabilidade municipal. Os estados da Bahia (296), Pernambuco (122) e Ceará (102) lideram em número de unidades de conservação.
Em termos de proporção territorial, a Bahia (10 milhões de hectares), Maranhão (9,2 milhões de hectares) e Piauí (6,9 milhões de hectares) possuem as maiores áreas de conservação. No entanto, mais da metade das unidades de conservação na região não conta com o chamado Plano de Manejo, documento fundamental para garantir a gestão, planejamento e proteção dessas áreas.
No bioma Caatinga, que é exclusivamente brasileiro e predominante no Semiárido, estão localizadas 299 unidades de conservação, que ocupam aproximadamente 9,8 milhões de hectares. Desse total, mais de 60% ainda não possuem plano de manejo. A maior parte das unidades está sob gestão estadual (156), seguida pelas federais (121) e municipais (12).
O painel também reúne informações sobre a presença de povos indígenas e quilombolas nas unidades de conservação. Os dados indicam que, entre 2001 e 2021, houve redução da cobertura de solo conservado em territórios indígenas e quilombolas, reflexo da pressão exercida por atividades como desmatamento, garimpo e grilagem, comprometendo as condições ambientais e os modos de vida dessas populações tradicionais.
Além disso, o painel identifica os municípios com maior tendência à desertificação. Entre eles estão Montadas (PB), Areial (PB), Gavião (BA) e Calçado (PE), o que requer atenção especial para a criação de novas reservas para recuperar solos degradados.
“Ao analisarmos esses dados, conseguimos localizar municípios que apresentam níveis críticos de degradação e, ao mesmo tempo, vazios de conservação. Isso fornece subsídios técnicos para orientar estudos, investimentos e discussões sobre a ampliação de áreas protegidas”, concluiu Ludmilla Calado.
No Dia Nacional de Combate à Seca e à Desertificação, celebrado nesta quarta-feira (17), a Sudene ressaltou os avanços na articulação que mobilizou estados, especialistas e sociedade civil na construção de novas estratégias para enfrentar os desafios ambientais do Semiárido brasileiro. Após uma ampla rodada de escuta social, a Autarquia avançou para a elaboração dos novos Planos Estaduais de Combate à Desertificação (PAEs), que orientarão ações voltadas à recuperação de áreas degradadas, segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas.
Desenvolvido em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), o Programa de Ação Contra a Desertificação, Efeitos da Seca e Revisão dos Planos Estaduais (Proades) conta com apoio técnico e financeiro da Sudene, focando na atualização de instrumentos estaduais de planejamento para fortalecer ações de resiliência climática e combate à degradação do solo.
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