Mais de dez gatos morreram em um único fim de semana na universidade. O MPF notificou a UFS, a Polícia Civil e a prefeitura para apurar causas e responsabilidades pelas mortes.
O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofícios à Universidade Federal de Sergipe (UFS), à Polícia Civil e à prefeitura de São Cristóvão, visando apurar as causas e responsabilidades pela morte de diversos animais comunitários no campus de São Cristóvão. A medida é uma resposta ao falecimento recente de mais de dez gatos no último fim de semana e a dados da própria instituição que indicam pelo menos 46 mortes de animais (45 felinos e um canino) entre setembro de 2025 e junho de 2026.
A investigação faz parte de um procedimento aberto pelo MPF para monitorar o cumprimento de um acordo judicial que visa garantir a proteção, segurança e manejo adequado dos animais que habitam as dependências da universidade.
A apuração criminal está sendo conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção Animal e Meio Ambiente (Depama), uma vez que o MPF atua principalmente nas esferas cível e administrativa. A comunicação dos fatos à Depama busca fornecer informações que possam auxiliar nas investigações criminais, tendo em vista que identificar as causas das mortes é essencial tanto para responsabilizar eventuais ilícitos quanto para orientar a administração da universidade, garantindo assim a segurança da comunidade acadêmica.
“Identificar a causa desses óbitos não atende apenas ao dever de buscar a responsabilização por eventuais crimes, mas serve, fundamentalmente, para orientar as decisões da administração e aperfeiçoar os protocolos de proteção que resguardam tanto os animais quanto a própria comunidade acadêmica”, destacou o procurador da República Ígor Miranda.
Além da investigação das mortes, o MPF está buscando soluções que possam fortalecer as ações de proteção animal promovidas pela UFS. Nesse sentido, foi sugerido à universidade a avaliação da viabilidade técnica, operacional e financeira da implementação de um projeto-piloto de videomonitoramento nas áreas onde há maior incidência de óbitos de animais comunitários. A proposta envolve o uso de câmeras conectadas a plataformas de armazenamento em nuvem, um modelo já utilizado por diversas instituições públicas e que pode ser implementado de forma gradual e com custos reduzidos em comparação aos sistemas convencionais de monitoramento. Tal equipamento tem potencial para ajudar na identificação das causas de óbitos, na coibição de ações humanas e na verificação do ingresso irregular de predadores.
O MPF também continua a solicitar informações periódicas sobre o cumprimento das metas estabelecidas no Plano de Ação Emergencial para o Bem-Estar dos Animais Comunitários da UFS, que abrange manejo ético populacional, estruturação da Divisão de Animais Comunitários (Diacom), educação ambiental e vigilância sanitária. A fiscalização do órgão também se estende às obrigações da prefeitura de São Cristóvão, enfatizando que a gestão ética das populações de cães e gatos requer ações do município no entorno do campus, como conscientização, promoção da guarda responsável e prevenção do abandono. A redução do ingresso de novos animais nas proximidades da instituição é considerada fundamental para o sucesso das medidas acordadas judicialmente.
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