Criado em 2011 pelo 2º-sargento Élvio Marcelo, o projeto usa o judô para aproximar a PMSE da comunidade e promover disciplina e convivência. De três alunos a 250 atendidos no Centro de Lutas, em Bairro América, Aracaju.
O Projeto Social de Judô da Polícia Militar de Sergipe completou 15 anos nesta quarta-feira (12), trazendo uma trajetória de esporte, convivência e integração entre a comunidade e a Corporação. Criado em 2011, o projeto começou com apenas três alunos e, atualmente, atende 250 jovens e crianças no Centro de Lutas da PMSE, localizado no Bairro América, em Aracaju.
Idealizado pelo segundo-sargento Élvio Marcelo Lisboa Santos, que atua no Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), a iniciativa foi desenvolvida com o intuito de estreitar os laços entre a Polícia Militar e a população por meio do judô. Ao longo desses anos, o projeto se tornou parte fundamental na vida de crianças e adolescentes, que, além de aprenderem a modalidade esportiva, cultivaram laços com professores, policiais e suas famílias.
Algumas dessas crianças cresceram dentro do projeto e, hoje, ajudam como voluntários. Emerson Santos, conhecido como Zapata, ingressou no projeto em 2014, ainda como faixa-branca. Atualmente, ele é faixa-preta de segundo Dan e participa ativamente das aulas.
“Minha vida tem dois momentos: antes e após o judô. Depois do judô, eu tive, como várias crianças, a vida transformada. Consegui viajar para vários lugares, mas o mais importante é poder ajudar essas pessoas”, conta Emerson.
Sob a perspectiva de Emerson, o contato com a Polícia Militar mudou sua visão sobre a corporação. Antes, suas referências eram limitadas, mas, dentro do projeto, ele teve a oportunidade de conviver com os policiais.
“Pelos mitos que são contados, pela diferença, sempre tem um pouco. Mas aqui a gente conhece outra vertente, outra visão. Essa aproximação da polícia com a sociedade”, relata.
Além dos alunos, as famílias também estão diretamente envolvidas nas atividades do projeto. Sara Melo, mãe de um jovem participante, destacou as mudanças que observou no comportamento do filho.
“Hoje ele já tem uma autoestima melhor do que tinha antes. Ele era bastante retraído e hoje já conversa olhando no olho da pessoa”, conta.
Sara também mencionou como a presença dos policiais e professores se tornou uma referência positiva para seu filho, que agora sonha em seguir a carreira policial.
“Hoje o sonho dele é ser policial também”, relata.
A voluntária Fernanda Pereira, que inicialmente se interessou em aprender defesa pessoal, também se envolveu com as atividades do judô e decidiu contribuir com o projeto.
“É muito mais do que só aula de judô. Aqui você encontra construção de famílias, aqui você vê os meninos se desenvolvendo, crescendo ao longo do tempo”, afirma.
A comemoração dos 15 anos do projeto ocorre em um novo espaço, o Centro de Lutas da PMSE, inaugurado em março deste ano, que integra a estrutura de formação da Corporação e abriga as atividades do Projeto Social de Judô. Para Élvio Marcelo, essa nova fase representa uma oportunidade de fortalecer a relação entre a Polícia Militar e a comunidade.
“Aqui a gente vê as pessoas da comunidade conhecendo os policiais e os policiais também entendendo a sociedade por outro ângulo. Então a gente faz esse trabalho de aproximação da polícia com a sociedade”, explica.
Com um total de 250 participantes, entre eles 42 crianças com necessidades especiais, o projeto já alcançou mais de 3 mil famílias ao longo de sua trajetória. A meta para os próximos anos é quadruplicar o número de atendimentos, buscando atingir mil crianças e jovens.
“O jovem precisa de um referencial, o jovem precisa de orientação, para não se perder no meio do caminho”, afirma Élvio Marcelo.
Assim, o projeto de judô se consolida como uma importante iniciativa social em Sergipe, promovendo não apenas o esporte, mas também a formação de vínculos e a valorização da cidadania.
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