Condição crônica que afeta principalmente mulheres, o lipedema causa dor, inchaço e acúmulo de gordura nas pernas. O Ipesaúde reforça a importância do diagnóstico precoce para servidores sergipanos.
O Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) destaca a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado para o lipedema, uma condição crônica que é frequentemente confundida com obesidade ou sobrepeso.
O lipedema é caracterizado por sintomas como dor nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e acúmulo desproporcional de gordura, especialmente nas regiões dos quadris e pernas. Embora a condição afete predominantemente mulheres, ela ainda é pouco conhecida pela população em geral.
Recentemente, o tema ganhou mais destaque após relatos de figuras públicas, como a atriz Bárbara Reis, que compartilhou sua experiência de viver por anos com os sintomas antes de receber o diagnóstico correto. Apesar de não ter cura, o tratamento do lipedema pode proporcionar uma melhora significativa na qualidade de vida das pacientes.
O médico angiologista do Ipesaúde, Igor Pereira, explica que o lipedema é uma enfermidade inflamatória e sistêmica. “É uma doença crônica que afeta o público feminino, caracterizada pelo acúmulo de gordura desproporcional em determinadas áreas do corpo, que geralmente são muito dolorosas”, afirma.
Um dos principais desafios no tratamento do lipedema é diferenciá-lo da obesidade. Segundo Dr. Igor, “o lipedema é uma doença crônica inflamatória, enquanto a obesidade não apresenta as mesmas características inflamatórias. As pacientes com lipedema frequentemente sentem dor, têm hematomas e uma sensação de peso nas pernas, o que não ocorre na obesidade”.
O reconhecimento recente do lipedema como uma condição médica contribuiu para que muitas mulheres que sofriam com a doença não soubessem de sua existência, pois frequentemente era apenas considerada como gordura. “Agora sabemos que se trata de gordura inflamada, e o nome disso é lipedema”, explica o médico.
Fatores como genética, hábitos de vida e alimentação podem influenciar a evolução da doença. O tratamento geralmente envolve controle da inflamação, mudanças na alimentação, prática de atividades físicas e acompanhamento multiprofissional.
Uma das beneficiárias do Ipesaúde, Stephane Lisley Fonseca, de 32 anos, compartilha sua experiência ao perceber mudanças em seu corpo. “Há cerca de dois anos, notei que meu corpo estava diferente, e não queria mais usar shorts, escondendo minhas pernas”, relata. Inicialmente, ela acreditava que os sintomas estavam relacionados apenas ao ganho de peso. “Pensava que o que estava acontecendo era resultado de estar acima do peso”, conta.
Após pesquisar sobre o lipedema, Stephane começou a notar sinais como marcas nas pernas, inchaços e dores frequentes. “Quando usava calça, percebia marcas da meia e meus pés inchavam, além das dores nas pernas. Foi quando comecei a desconfiar que poderia ser lipedema”, relata.
Após consultar um angiologista, ela recebeu o diagnóstico e iniciou o tratamento. “Mudanças nos hábitos alimentares foram necessárias. Muitas coisas precisam ser eliminadas da dieta, pois a alimentação é fundamental no tratamento”, explica.
Stephane ressalta a importância do suporte profissional no tratamento. “Isso faz uma grande diferença. O tratamento evoluiu bastante, mas os custos com alimentação, atividades físicas e medicação podem ser altos”, observa.
Por fim, ela deixa uma mensagem a outras mulheres que enfrentam a doença: “Procurem se cuidar. No início, eu chorei, pois não queria aceitar. O que digo é que não é fácil, mas não desistam”, conclui.
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