Um novo relatório destaca os avanços das redes municipais de ensino na educação infantil, especialmente no que diz respeito ao letramento e à linguagem. Os dados mostram que 76% dos municípios adotam práticas voltadas à cultura escrita, enquanto 48% implementam estratégias de letramento matemático.
Divulgado na última segunda-feira, 25 de maio de 2026, o relatório intitulado ‘Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública’ foi elaborado pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). O estudo, que abrangeu 2.712 redes municipais de ensino, revela a realidade e os desafios enfrentados na educação infantil no Brasil.
Um dos dados alarmantes é que 20% das secretarias municipais de educação não possuem iniciativas voltadas para letramento na primeira infância. Além disso, 23% das prefeituras não têm certeza se as unidades conveniadas da pré-escola adotam essas práticas, o que ressalta a necessidade de acompanhamento eficaz por parte das secretarias de educação.
“É fundamental que as secretarias de educação monitorem o atendimento oferecido pelas redes conveniadas, assim como fazem com suas próprias redes,” afirmou Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social.
A publicação também revelou que 62% das redes municipais apoiam o contato das crianças com a natureza, 58% oferecem formação continuada para o desenvolvimento infantil, e 56% realizam ações para garantir a permanência dos alunos nas escolas.
Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime, enfatiza a importância da educação infantil como etapa decisiva na trajetória escolar das crianças. Ele destaca que as políticas públicas devem considerar as especificidades de cada território e a escuta da comunidade escolar.
“As redes municipais precisam planejar políticas públicas que garantam o direito à educação de qualidade,” ressaltou Garcia.
O estudo também aponta que 67% das redes municipais recebem apoio das secretarias estaduais de educação para a educação infantil, especialmente em formações e suporte técnico. No entanto, um terço dos municípios ainda não recebe esse suporte. As principais demandas incluem apoio financeiro e doação de materiais didáticos.
A gerente Sonia Dias também destacou a importância de uma colaboração mais efetiva entre estados e municípios para reduzir desigualdades regionais e apoiar redes mais vulneráveis.
Em relação à organização pedagógica, 63% dos municípios adotam a matriz curricular estadual na educação infantil, enquanto 34% utilizam um currículo próprio. No entanto, 37% das secretarias enfrentam dificuldades para alinhar seus Projetos Político-Pedagógicos (PPP) com as normas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
A transição das crianças da pré-escola para o ensino fundamental ainda é um desafio para muitos municípios, com 17% deles não realizando planejamento articulado entre as etapas. As dificuldades para essa transição incluem a falta de ações de acolhimento e gestão adequadas.
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