Os pequenos negócios continuam a impulsionar o empreendedorismo no Brasil. De janeiro a maio de 2026, mais de 2,5 milhões de pequenos negócios foram formalizados no país, representando um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme levantamento do Sebrae. Desses, 78% correspondem a microempreendedores individuais (MEIs).
O aumento da formalização acompanha uma tendência crescente entre brasileiros com mais de 50 anos, que têm encontrado no empreendedorismo uma alternativa para complementar a renda, realizar projetos antigos e se manter economicamente ativos por mais tempo. Para quem deseja formalizar uma atividade, o planejamento e o entendimento sobre as responsabilidades envolvidas são etapas fundamentais para uma decisão mais segura.
A formalização pode trazer diversos benefícios, mas a decisão deve levar em conta o momento do negócio, o volume da atividade e os objetivos do empreendedor. Além da possibilidade de emitir notas fiscais, o MEI oferece acesso a benefícios previdenciários e contribui para uma gestão mais organizada da atividade.
“É importante avaliar o volume de vendas, os custos do negócio e os objetivos para os próximos anos. A formalização pode ajudar na organização financeira e abrir portas para novas oportunidades, mas precisa fazer sentido para a realidade de cada empreendedor”, afirma Sérgio Batista, gerente de Análise e Planejamento Financeiro do Banco Mercantil.
Muitos profissionais iniciam uma atividade como uma complementação de renda, vendendo produtos, prestando serviços ou transformando conhecimentos acumulados ao longo da vida em novas fontes de renda. Com o tempo, a carteira de clientes cresce, novas demandas surgem e a necessidade de estruturar melhor a atividade se torna parte da rotina.
Nesse processo, separar as finanças pessoais das finanças do negócio é um dos passos mais importantes. Mesmo em atividades de pequeno porte, manter um controle organizado das receitas e despesas ajuda o empreendedor a entender melhor os resultados da operação e a planejar os próximos passos com mais segurança.
“Quando o empreendedor mistura as movimentações pessoais e profissionais, fica mais difícil identificar quanto o negócio realmente gera de resultado. A separação das contas permite acompanhar melhor o desempenho da atividade, planejar investimentos e ter mais clareza sobre a saúde financeira do negócio”, explica o especialista do Mercantil.
Outro aspecto que merece atenção é o fluxo de caixa. Ter visibilidade sobre os valores que entram e saem ao longo do mês ajuda a evitar desequilíbrios financeiros e permite uma tomada de decisão mais consciente. Muitas vezes, a dificuldade não está na falta de faturamento, mas na ausência de planejamento para lidar com despesas, sazonalidades ou necessidades futuras de investimento.
A formalização também amplia as possibilidades de atuação. A emissão de notas fiscais, por exemplo, pode facilitar o atendimento a empresas e abrir novas oportunidades comerciais. Além disso, um negócio financeiramente organizado tende a construir um histórico e previsibilidade, fatores essenciais para quem busca crescer de forma sustentável ao longo do tempo.
“Registrar receitas e despesas, acompanhar o fluxo de caixa e definir um valor para retirada pessoal são medidas que ajudam o empreendedor a entender melhor a situação financeira da atividade e tomar decisões mais conscientes”, afirma Sérgio Batista.
Dependendo do estágio do negócio, pode surgir a necessidade de buscar soluções financeiras para apoiar investimentos, ampliar a capacidade de atendimento ou melhorar a estrutura da operação. Portanto, ter informações organizadas e um planejamento financeiro adequado faz diferença na hora de avaliar quais alternativas são mais adequadas para cada momento.
A formalização requer compromisso com algumas obrigações, como o pagamento mensal das contribuições previstas e a manutenção das informações cadastrais atualizadas. Por isso, buscar orientação e informação antes de dar esse passo é fundamental.
Em um cenário de aumento da longevidade e mudanças na dinâmica do mercado de trabalho, o empreendedorismo se estabelece como uma alternativa viável para geração de renda e autonomia financeira após os 50 anos. Para quem está considerando essa possibilidade, planejamento, organização e conhecimento continuam a ser os principais aliados.
“Formalizar um negócio pode trazer benefícios importantes, mas a decisão deve estar alinhada ao momento do empreendedor e aos seus objetivos. Quanto maior o planejamento, maiores são as chances de construir uma atividade sustentável no longo prazo”, conclui o especialista do Banco Mercantil.
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