André David afirma que a agiotagem em Sergipe se profissionalizou e opera em redes sociais e facções criminosas. Ele pede leis mais rígidas para proteger famílias vulneráveis, aposentados e pequenos comerciantes.
O Delegado André David fez um alerta sobre a agiotagem em Sergipe, abordando o lado oculto dessa prática que se tornou uma preocupação crescente para a população. Ele defendeu a necessidade de leis mais rigorosas para combater essa atividade, que, segundo ele, evoluiu e agora se encontra nas redes sociais e em facções criminosas.
A agiotagem, que antes era vista como uma informalidade local, transformou-se em uma das engrenagens mais lucrativas do crime organizado, atingindo principalmente famílias de baixa renda, trabalhadores informais, aposentados e pequenos comerciantes que não têm acesso ao sistema bancário tradicional. O que começa como uma ajuda financeira temporária pode rapidamente se transformar em um pesadelo, levando a extorsões, ameaças e até violência extrema.
“Essa é uma realidade que precisamos falar sem meias palavras. A agiotagem hoje só pega até 2 anos de prisão, e o cara sai andando, com o dinheiro que tirou de famílias desesperadas. Enquanto isso, tem gente sendo ameaçada, perdendo a casa, o comércio, e em casos extremos, perdendo a vida”, afirmou André David.
O delegado destacou que a fragilidade das leis atuais atua como um incentivo para os agiotas, já que os riscos de punição são baixos em comparação aos lucros obtidos com a exploração da vulnerabilidade das pessoas. Ele enfatizou a urgência de atualizar o Código Penal e outras legislações para que a agiotagem seja tratada como um crime sério.
“Segurança pública não é só bandido preso. É família que consegue dormir tranquila sem medo de ser ameaçada. A atual legislação é frágil, protege os agiotas e as facções criminosas. É preciso coragem para enfrentar esses agiotas e o crime organizado que financia esse esquema”, explicou.
Em resposta a essa situação, está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 3.329/2026, que propõe a modernização da legislação de 1951. A proposta sugere o aumento da pena para agiotagem de até 6 anos de reclusão, tornando o crime inafiançável em sua forma simples. Além disso, o projeto prevê agravantes que podem dobrar a pena quando a prática for realizada por facções ou milícias, incluindo também a apreensão preventiva de bens acumulados pelos agiotas.
“Eu já me comprometi que em Brasília vou combater com coragem o crime de agiotagem. Na Câmara, já tramita um projeto de lei que aumenta a pena para o agiota em até 6 anos, bloqueia os bens e cria canal de denúncia sigiloso. Eu apoio esse projeto”, finalizou.
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