Relatório 2026 do Observatório aponta avanço em 34 de 48 indicadores: renda, emprego, segurança alimentar e acesso a serviços melhoraram. Em Sergipe, capital e interior registram ganhos, mas desigualdades locais seguem.
O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 revela que o Brasil avançou, no último ano, em 34 dos 48 indicadores estudados para a análise do enfrentamento das desigualdades.
Os avanços destacados pelo estudo referem-se, principalmente, à melhoria da renda média, ao crescimento do mercado de trabalho, à redução da pobreza e ao aumento da segurança alimentar, além do acesso a serviços básicos.
Os índices de saúde, como a diminuição da desnutrição infantil e de idosos, também mostraram melhorias. Na educação, houve queda no número de analfabetos, e na segurança, a taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos também apresentou redução.
Apesar dos avanços, o relatório aponta que oito indicadores pioraram e seis se mantiveram estáveis. Entre as quedas, estão a ampliação do número de mulheres que recebem salários inferiores aos dos homens, o agravamento da concentração de renda, uma tributação mais baixa para os mais ricos, condições desfavoráveis para a população negra e o aumento da concentração de indicadores sociais negativos nas regiões Norte e Nordeste.
Os responsáveis pelo relatório afirmam que os dados que mostraram piora indicam que os principais mecanismos que reproduzem as desigualdades continuam ativos.
“O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”, destaca o relatório.
A edição deste ano é a quarta do relatório, sendo que a primeira foi publicada em 2023. A última publicação traz análises dos indicadores de 2025, exceto por algumas bases de dados que não são atualizadas anualmente.
Por exemplo, os indicadores derivados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisam gastos com transporte e carga tributária, são atualizados a cada dois anos. O mesmo ocorre com o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), que foi divulgado em 2024, após seis anos da pesquisa anterior.
Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, ressalta que a falta de atualização de alguns indicadores em 2025 não prejudica a comparação com edições anteriores do relatório.
“Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo. Os indicadores que a gente acompanha já indicam tendências pelo fato de já termos quatro anos de relatórios”, afirma.
No prefácio da publicação, Betina Ferraz Barbosa, economista-chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil, considera que a análise dos indicadores oferece um aprofundamento sobre os índices divulgados por diversas organizações, permitindo uma compreensão que vai além dos indicadores econômicos de saúde e educação.
“Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo tempo, profundamente desiguais”, conclui.
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