Em Aracaju, o agrônomo José Hugo Campos de Lima afirmou que queda de rentabilidade e alta de custos exigem mais eficiência dos produtores. Ele vê chance de tornar a citricultura nordestina mais competitiva.
A citricultura no Nordeste brasileiro enfrenta desafios, mas não deve ser interrompida pela crise que afetou a rentabilidade do setor. Essa foi a avaliação do engenheiro agrônomo José Hugo Campos de Lima, organizador do Citros Show Nordeste, durante sua palestra na última quinta-feira, 13, em Aracaju.
Segundo José Hugo, a atual pressão nos preços e o aumento dos custos operacionais exigirão uma maior eficiência dos produtores. No entanto, ele acredita que isso também pode representar uma oportunidade para a citricultura nordestina aumentar sua competitividade no mercado.
O especialista destacou que a região possui características que podem ser vantajosas em comparação a outros polos de produção, como São Paulo e Mato Grosso. Um dos pontos favoráveis é a condição fitossanitária, pois o Nordeste enfrenta menor pressão de pragas e doenças, o que reduz a necessidade de tratamentos e, consequentemente, os custos de produção.
“São Paulo e Mato Grosso têm problemas que exigem tratamentos de custo elevadíssimo. O cobre, por exemplo, um importante agente protetivo, é uma commodity que não tem relação apenas com o setor agrícola. Se ele estiver em alta por causa da construção civil, o produtor também vai pagar mais caro pelo tratamento”, explicou.
Outro fator mencionado por ele foi a localização estratégica da região, que facilita o escoamento da produção. A proximidade dos portos é um diferencial que reduz as distâncias em relação a mercados consumidores importantes, como Europa e Estados Unidos.
“Não estamos apenas próximos do porto. Pelo frete marítimo, estamos mais próximos da Europa e dos Estados Unidos, que são os polos consumidores”, destacou.
Além disso, a disponibilidade de mão de obra no Nordeste também é considerada uma vantagem, mesmo com a necessidade de qualificação. Na visão de José Hugo, a crise deve levar à seleção de produtores mais eficientes, e aqueles que conseguirem controlar custos e manter uma operação organizada terão mais chances de sobreviver.
“Os eficientes vão passar. Alguns dos menos eficientes vão sair, mas a citricultura nordestina vai continuar firme e forte e crescendo”, afirmou.
Ele ressaltou que a capacidade de permanecer no mercado não depende apenas do tamanho da propriedade. Pequenos produtores podem se manter competitivos se tiverem um bom controle de custos e organização na produção.
“Não é o pequeno, o médio ou o grande que vai sair. Vai ter pequeno que vai ficar porque tem capacidade de controlar custos e organizar a produção, e vai ter grande que vai sair porque não é organizado. Simples assim”, destacou.
Diante das incertezas, a recomendação principal aos citricultores é investir em planejamento e controle financeiro, além de buscar constantemente a eficiência. José Hugo enfatizou a importância de rever os custos e adotar estratégias que preservem a rentabilidade.
“É ajustar o orçamento, pensar firme no que pode ser feito daqui para a frente, buscar melhorias e ser eficiente. A mensagem é essa: seja eficiente. Se você fizer um bom produto, vai se dar bem”, concluiu.
O Citros Show Nordeste, realizado em 12 e 13 de agosto na Associação de Engenheiros Agrônomos de Sergipe (AEASE), reuniu produtores, pesquisadores e consultores para discutir os impactos da crise sobre a cadeia citrícola e alternativas para melhorar a eficiência no campo. O evento contou com uma programação variada, abordando temas como manejo, mercado, controle de pragas e doenças, e tecnologia na agricultura.
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