Produtores, pesquisadores e consultores abriram o 4º Citros Show Nordeste em Aracaju para debater a queda do mercado internacional de suco e aumentar a eficiência no campo. O evento, com apoio do Banco do Nordeste, conecta capital e interior.
A crise no mercado internacional de suco de laranja e os desafios para aumentar a eficiência no campo foram temas centrais do primeiro dia do 4º Citros Show Nordeste, que ocorreu nesta quarta-feira, 12, em Aracaju.
O evento reuniu produtores, pesquisadores, consultores e empresas, visando discutir as dificuldades atuais da citricultura e apresentar inovações tecnológicas e estratégias para otimizar o desempenho dos pomares. A iniciativa é promovida pela Campos de Lima Consultoria, com o apoio do Banco do Nordeste.
De acordo com o engenheiro agrônomo José Hugo Campos de Lima, organizador do Citros Show Nordeste e especialista no setor, aproximadamente 90% do suco de laranja produzido no Brasil é exportado, principalmente para os Estados Unidos e a União Europeia. Após um período de forte valorização devido à redução da oferta, a demanda internacional diminuiu, levando ao aumento dos estoques das indústrias. Como resultado, a necessidade de compra de frutas caiu, o que pressionou os preços pagos aos produtores.
“Nos últimos anos, o setor passou por movimentos opostos. Períodos de baixa produção, devido a questões climáticas, fizeram os preços do suco dispararem, estimulando investimentos da indústria e o aumento da produção. Contudo, com a valorização, o consumo internacional perdeu força, e as indústrias acumularam estoques. A redução das compras afetou os produtores, que agora enfrentam dificuldades para comercializar a fruta”, explica José Hugo.
O cenário apresentado durante o evento já reflete nas decisões tomadas nas propriedades, especialmente sobre investimentos nos pomares. No sul de Sergipe, onde uma parte significativa da produção é vendida diretamente na propriedade, os produtores estão avaliando com mais cautela os custos e o retorno de cada área cultivada.
Marcos Trindade, produtor de laranja de Umbaúba, destaca que o momento exige uma análise cuidadosa das condições de cada pomar antes de decidir sobre investimentos.
“Hoje a gente tem pomares de várias idades e um dos grandes desafios é entregar na medida certa. Vale a pena investir? Não vale? Investe parcialmente ou totalmente? Essa é a discussão diária nossa enquanto produtor”, afirma.
O Citros Show também enfatizou a importância da tecnologia e gestão no contexto atual. O primeiro dia do evento incluiu discussões sobre bioestimulantes, uso de drones e qualidade das mudas, buscando alternativas para melhorar o desempenho dos pomares e otimizar o uso de insumos.
A gestão de custos foi outro tema abordado, com debates sobre ajustes orçamentários, ferramentas de controle administrativo e uso de tecnologias que transformam dados em informações valiosas para a tomada de decisão.
“A crise é o momento em que você precisa controlar os custos. A propriedade tem recursos que precisam ser administrados: dinheiro, estoque, máquinas, equipamentos, pessoas e tudo que está envolvido na produção. Quando você utiliza, por exemplo, inteligências artificiais para acompanhar isso diariamente, consegue enxergar onde está gastando mais e tomar decisões olhando para o futuro”, afirma Wagner Pires, especialista em Tecnologia da Informação e palestrante do evento.
No primeiro dia também ocorreu uma feira de negócios com mais de 40 expositores de diferentes segmentos da cadeia citrícola. O espaço apresentou soluções em nutrição foliar, máquinas, drones, tecnologia, processamento de suco de laranja e agricultura familiar, aproximando produtores e empresas do setor.
A programação do 4º Citros Show Nordeste seguirá nesta quinta-feira, 13, com discussões sobre manejo, controle de doenças e pragas, mecanização da colheita e perspectivas do mercado, além dos desafios para quem deseja continuar investindo na citricultura local.
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