Na convenção do PL em Sergipe (3/8), Rodrigo Valadares e dirigentes negaram acordo com o grupo do prefeito Valmir de Francisquinho. Nos bastidores, o partido tentou incluir o Republicanos na vaga de vice; negociações envolveram Rogério Marinho.
Hoje, 3 de agosto, está marcada a convenção do PL em Sergipe, onde Rodrigo Valadares, Ricardo Marques e Edvan Amorim refutaram a possibilidade de uma reaproximação com o grupo de Valmir de Francisquinho. Rodrigo negou qualquer recuo do partido em relação ao apoio a Valmir, mas nos bastidores da convenção, uma movimentação estratégica estava sendo preparada.
O PL, percebendo o esvaziamento da vaga de vice de Flávio Bolsonaro, buscou, de diversas formas, incluir o Republicanos na chapa, indicando a vice-presidência. Após conversas entre as direções nacionais, coube ao senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, informar Rodrigo Valadares que o Republicanos estava aberto ao diálogo e que Sergipe fazia parte das negociações. Rodrigo se mostrou aberto a conversar “em nome do projeto nacional”.
Historicamente, as tentativas de interferência nacional dos grandes partidos em Sergipe não têm se concretizado. Por várias vezes, houve especulações sobre a possibilidade de a esquerda, através de suas composições nacionais, influenciar a formação das chapas estaduais, mas nenhuma dessas teorias se comprovou. O PT, por exemplo, nunca impôs decisões em Sergipe.
Essa situação se deve a uma razão prática: Sergipe não possui um peso eleitoral significativo para alterar a conjuntura nacional. Isso não desmerece o estado, mas reconhece uma realidade política objetiva. Na atual conjuntura da direita sergipana em 2026, a divisão entre os bolsonaristas do PL e os bolsonaristas que se sentem envergonhados permanece, gerando um clima de tensão entre os dois grupos. A equipe de Rodrigo busca reafirmar que eles são os verdadeiros defensores de Bolsonaro, enquanto a turma de Valmir tenta manter um equilíbrio, evitando um discurso radicalmente a favor de Flávio Bolsonaro.
Até o momento em que surgiram informações de negociações em nível nacional, Valmir não demonstrava grande preocupação com uma possível reaproximação. No entanto, aliados de Francisquinho começaram a perceber benefícios na abertura do diálogo, como o fortalecimento do grupo e a redução do risco de vitória de Mitidieri já no primeiro turno. Esses argumentos foram apresentados por aliados de Valmir para justificar a abertura das conversas.
Enquanto a direção nacional avança nas negociações, as direções locais permanecem cautelosas e resistentes a mudanças, alertando que não haverá reaproximação sem perdas. Nos bastidores, especula-se que o PL “jogaria na BR” seu pré-candidato ao governo, Ricardo Marques, e seu pré-candidato ao Senado, Coronel Rocha, visando compor com o Republicanos. A prioridade continua sendo Rodrigo Valadares.
Por outro lado, o Republicanos estaria disposto a abrir mão de um dos nomes ao Senado para se unir ao PL? Consultas a fontes do partido indicam que essa possibilidade é remota. A análise é que cabem três candidaturas da direita, mesmo com apenas duas vagas oficialmente. Uma fonte do Republicanos acredita que sim, mas isso se baseia em interesses internos do grupo.
Diante desse impasse, se o Republicanos não abrir mão de uma vaga, o PL poderá ficar sem representação, restando ao partido liberar a negociação nacional para apoiar Flávio, sem condicionar a situação em Sergipe. A questão que se coloca é: qual seria o ganho para o PL? Se a prioridade nacional é eleger senadores, por que o partido se afastaria da disputa em Sergipe para apoiar candidatos de outra legenda?
Assim, a composição vantajosa precisa ser benéfica para ambos os lados. Portanto, o Republicanos terá que abrir mão de algo. A dúvida é quem seria sacrificado: o Lobo ou o Pacífico? A remoção de André David, que lidera nas pesquisas, e de Eduardo Amorim é uma tarefa difícil de imaginar.
Esses fatores tornam a reaproximação entre Rodrigo e o grupo de Valmir complexa. Faltam poucos dias para que se conheça o desfecho dessa situação, já que até o dia 15 muitas negociações poderão ocorrer.
Siga o Giro por Sergipe e receba as notícias do estado em primeira mão.
