O Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), que é gerido pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), tem observado um aumento significativo na taxa de positividade da esporotricose nas amostras analisadas desde 2022. Até o momento, foram realizados 96 exames laboratoriais em humanos, dos quais 57 resultaram positivos. Entre os anos de 2024 e 2026, foram registrados 53 casos positivos, evidenciando a necessidade de vigilância contínua e ampliação do acesso ao diagnóstico laboratorial.
O Lacen desempenha um papel crucial no diagnóstico e monitoramento da esporotricose em todo o estado, sendo a referência para a realização de exames laboratoriais. A unidade está preparada para receber amostras de todos os 75 municípios sergipanos que apresentem suspeita clínica da doença. Segundo o superintendente do Lacen, Cliomar Alves, o atendimento inicial ocorre nas unidades de saúde dos municípios:
“Todas as unidades de saúde podem fazer a coleta do material de amostra e enviar para o Lacen. Quanto mais diagnósticos, maior nossa vigilância, tanto epidemiológica quanto laboratorial. É importante que o diagnóstico seja feito com antecedência, para que sejam tomadas medidas de saúde pública e realizado o tratamento correto para as pessoas afetadas”, explicou.
A esporotricose é uma doença infectocontagiosa que pode afetar tanto humanos quanto animais, como cães e gatos. O fungo responsável pela doença geralmente vive no solo, palhas, vegetais e madeiras, sendo transmitido através de materiais contaminados, como farpas ou espinhos. Animais contaminados, especialmente gatos, podem também transmitir a doença por meio de arranhões, mordidas e contato direto com a pele lesionada.
Nos humanos, a esporotricose se manifesta na forma de lesões na pele, que iniciam como pequenos caroços vermelhos e podem evoluir para feridas. Essas lesões costumam aparecer nos braços, pernas ou rosto, formando uma sequência de nódulos e feridas, e podem afetar a pele e os vasos linfáticos próximos à lesão, podendo ainda comprometer ossos, pulmões e articulações. O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão, especialmente em áreas onde há contato frequente entre pessoas e animais infectados.
Além das amostras humanas, o Lacen também realiza análises laboratoriais em animais suspeitos da doença. Desde 2022, foram realizados 446 exames em animais, com 250 resultados positivos. A capital, Aracaju, concentra a maioria dos registros (148), seguida por Barra dos Coqueiros (36) e Nossa Senhora do Socorro (35), o que reforça a importância do monitoramento, especialmente dos gatos.
O Lacen não se limita a realizar diagnósticos, mas também promove capacitações constantes para profissionais de saúde dos municípios, orientando sobre a coleta, acondicionamento e envio de amostras, fortalecendo assim a rede de vigilância laboratorial em Sergipe.



Fonte: Saúde – Sergipe
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