Entre 2022 e 2024, o Nordeste registrou avanço inédito contra a fome. Domicílios em segurança alimentar saltaram de 32% para 65,2%, transformando a realidade de milhões de famílias na região.
Nos últimos anos, o Nordeste apresentou avanços significativos na segurança alimentar. Entre 2022 e 2024, cerca de 9,6 milhões de pessoas deixaram de enfrentar a fome na região, conforme dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). Além disso, 17,8 milhões de pessoas superaram diferentes níveis de insegurança alimentar e nutricional (InSAN), alcançando a situação de segurança alimentar e nutricional (SAN).
A InSAN apresentou uma queda expressiva, passando de 21% para 4,8%, enquanto o percentual de domicílios que vivem em SAN aumentou de 32% para 65,2%. Esses dados são resultado de um levantamento que compara informações da Rede Penssan de 2022 com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024.
“Em 2023, chegamos ao governo com a missão de tirar o país do Mapa da Fome novamente. Em 2022, havia 33,1 milhões de pessoas em situação de fome no país e em tempo recorde conseguimos reverter esse quadro. Em 2024, o país atingiu a menor taxa da história para a insegurança alimentar grave”, afirmou Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS.
A Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) destacou que esses resultados refletem os efeitos da recuperação e aprimoramento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que completa 20 anos em 2026.
Os dados também mostram que a insegurança alimentar leve na região caiu de 29,6% para 22,5% entre 2022 e 2024. Para a insegurança alimentar moderada, a redução foi de 17,4% para 7,5% dos domicílios. A EBIA classifica a insegurança leve como a preocupação com a falta de alimentos no futuro, a moderada como a redução da qualidade da alimentação, e a grave como a situação de fome.
“Os municípios que aderem ao Sisan fortalecem sua capacidade de gestão e articulação para garantir o direito à alimentação adequada. O sistema contribui para organizar políticas públicas, apoiar a produção de alimentos e criar as condições necessárias para que os alimentos sejam produzidos, distribuídos e cheguem à população”, explicou Valéria Burity.
A adesão de municípios ao Sisan cresceu substancialmente, passando de 536 no final de 2022 para 2.297 em junho de 2026. No Nordeste, o número de municípios que aderiram ao sistema aumentou quase 5,5 vezes: de 194 em 2022 para 1.060 em 2026. A secretária ressaltou a importância dessa adesão para garantir a segurança alimentar na região.
O Sisan coordena diversos instrumentos de planejamento, como o Plano Brasil Sem Fome e o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan), integrando políticas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), entre outros.
Dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) mostram que, em 2024, 52% dos municípios nordestinos possuíam Conselhos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), 29% tinham Câmaras Intersetoriais de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) e 44% contavam com Leis Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional. Além disso, 75% dos municípios realizam ações voltadas à promoção da alimentação adequada.
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