Com os festejos juninos chegando, Sergipe reforça a prevenção de queimaduras. Fogueiras e fogos de artifício aumentam os acidentes. Saiba como se proteger.
O Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, celebrado em 6 de junho, destaca a importância da prevenção desse tipo de acidente, que pode resultar em sequelas permanentes. A data faz parte da campanha Junho Laranja, promovida pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), que visa conscientizar a população sobre os riscos e impactos físicos, emocionais e sociais das queimaduras.
Com a chegada dos festejos juninos, a preocupação se intensifica, já que o uso de fogos de artifício, fogueiras e a manipulação de materiais inflamáveis aumentam os casos de queimaduras. O Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), referência no atendimento a pacientes queimados, reforça as orientações de prevenção para evitar esses acidentes.
“É importante utilizar luvas, óculos de proteção, roupas de manga comprida, calça jeans e botas. Também orientamos que as pessoas não consumam bebidas alcoólicas antes de manusear fogos, já que isso compromete os reflexos e aumenta o risco de acidentes”, explica a cirurgiã plástica e responsável pela especialidade de Cirurgia Plástica do Huse, Moema Santana.
A médica também alerta para os cuidados com as crianças, que muitas vezes são vítimas de acidentes com fogos considerados inofensivos. “A chamada chuvinha, por exemplo, também oferece riscos. Uma simples faísca pode atingir a roupa da criança e provocar queimaduras graves”, enfatiza Moema.
O coordenador médico da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Huse, Bruno Cintra, destaca que os meses de junho e julho são os que mais registram internações relacionadas a queimaduras. “Atualmente, a ocupação da unidade varia entre 50% e 70% durante todo o ano, mas os maiores picos acontecem no período junino, devido ao aumento do uso de fogos de artifício e fogueiras”, afirma.
Em 2025, mais de 170 pacientes foram internados na UTQ, e aproximadamente 40% das vítimas eram crianças. “Quando analisamos especificamente junho e julho, cerca de metade das internações está relacionada aos fogos de artifício. Desses pacientes, quase 70% são crianças. Por isso, a supervisão dos pais e responsáveis é indispensável”, ressalta Bruno.
Além dos riscos imediatos, o tratamento de queimaduras pode ser longo. “Um paciente internado permanece, em média, 15 dias no hospital, mas alguns casos exigem meses de tratamento. A queimadura deixa cicatrizes que podem acompanhar a pessoa por toda a vida”, alerta o cirurgião.
Em caso de queimaduras, a orientação é agir rapidamente para minimizar os danos. O primeiro passo é resfriar a área atingida com água corrente por aproximadamente 10 a 15 minutos. “Esse procedimento ajuda a interromper a progressão da queimadura e pode reduzir sua gravidade. Depois, o local deve ser protegido com um pano limpo e seco e o paciente deve ser encaminhado para avaliação médica”, orienta Moema Santana.
Bruno Cintra também reforça que não devem ser utilizados produtos caseiros sobre a lesão. “Pomadas, cremes, pasta de dente ou outras substâncias podem dificultar a avaliação e o tratamento. O mais importante é resfriar a área atingida e procurar assistência médica”, conclui.

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